Estudo da ApexBrasil aponta potencial para ampliar presença brasileira em mercado que importou cerca de US$ 762 bilhões em 2024, com oportunidades em alimentos, máquinas, químicos e produtos de maior valor agregado
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A França, segunda maior economia da União Europeia e sétima maior do mundo, oferece 407 oportunidades comerciais para produtos brasileiros, segundo novo estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). O Perfil de Comércio e Investimentos - França apresenta o panorama de um mercado com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 3,4 trilhões, população de 66,7 milhões de habitantes e elevado poder de compra.
Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e França movimentou US$ 10,3 bilhões, enquanto as exportações brasileiras para o mercado francês somaram US$ 3,1 bilhões. Entre os principais produtos embarcados estão farelo de soja, petróleo bruto, café não torrado e celulose.
Alguns segmentos, no entanto, vêm ganhando espaço e apontam para uma maior diversificação da pauta. As exportações brasileiras de café não torrado cresceram, em média, 32,2% em valor ao ano entre 2021 e 2025. No setor aeronáutico, as vendas de aeronaves e componentes avançaram, em média, 17,9% em valor ao ano no mesmo período, acompanhando a ampliação da presença de aeronaves brasileiras no mercado francês.
Mercado de US$ 762 bilhões abre espaço para produtos brasileiros
A França foi o quinto maior importador mundial em 2024, com aproximadamente US$ 762 bilhões em compras externas. As 407 oportunidades identificadas pela ApexBrasil estão distribuídas principalmente entre produtos alimentícios, máquinas e equipamentos de transporte, combustíveis minerais, produtos químicos, artigos manufaturados e obras diversas. O levantamento também identifica espaço para produtos de maior valor agregado e segmentos associados à sustentabilidade e à sofisticação do consumo francês. Entre as possibilidades de diversificação estão frutas frescas, óleos essenciais, preparações alimentícias, produtos químicos industriais e obras de arte, setores que vêm apresentando crescimento, mas nos quais a participação brasileira nas importações francesas ainda é relativamente baixa. O tamanho e a diversidade do mercado consumidor francês, somados à relevância do país em setores como aeronáutica, tecnologia, turismo e bens de luxo, ampliam as possibilidades para empresas brasileiras interessadas em acessar uma das principais economias europeias.
Acordo Mercosul-UE impulsiona exportações
A entrada em vigor provisória do Acordo Mercosul–União Europeia, em 1º de maio de 2026, abriu uma nova perspectiva para as exportações brasileiras à França. Comparando-se as exportações para o país entre maio e agosto deste ano com o mesmo período do ano passado, as vendas cresceram, aproximadamente, 17,9%, impulsionadas, entre outras coisas, pelo contexto de entrada em vigor do Acordo e pela redução de tarifas para dezenas de produtos.
Entre os segmentos que apresentaram avanço estão derivados alimentícios, especialidades químicas, madeiras processadas, couros e preparações à base de café. Produtos importantes da pauta brasileira, como farelo de soja, petróleo bruto, café verde, celulose e produtos siderúrgicos, já ingressavam no mercado francês com tarifa zero. Outros itens passaram a contar com reduções tarifárias que podem ampliar sua competitividade. É o caso, por exemplo, do café solúvel, que se beneficia de um cronograma de desgravação previsto pelo acordo.
França é o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil
A relação econômica entre os dois países também se destaca pelo volume de investimentos. Em 2024, o estoque de investimento direto francês no Brasil alcançou US$ 80,3 bilhões, colocando a França como o terceiro maior investidor estrangeiro no país, atrás apenas dos Estados Unidos e dos Países Baixos. Entre 2016 e 2026, foram identificados 331 projetos greenfield de empresas francesas no Brasil, que somaram aproximadamente US$ 9,7 bilhões, além de 72 operações de fusões e aquisições. Os investimentos estão distribuídos por áreas como energia, alimentos, tecnologia, logística, infraestrutura e indústria, demonstrando a amplitude das relações econômicas entre os dois países.
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