Com exportações em crescimento, bebida amplia presença no exterior e reforça o potencial do Brasil em um mercado global cada vez mais atento à origem, qualidade e identidade dos destilados
Foto: Divulgação
A cachaça possui uma característica que reforça sua identidade no mercado internacional: sua denominação está diretamente ligada ao Brasil. Reconhecida pela legislação brasileira como denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no país, a bebida reúne características relacionadas à matéria-prima, aos métodos de produção e a um conhecimento desenvolvido ao longo de gerações.
Sua presença internacional vem avançando. Em 2025, o Brasil exportou 7,96 milhões de litros de cachaça, crescimento de 19,4% em volume em relação ao ano anterior. Em valor, as exportações alcançaram US$ 17,07 milhões, alta de 17,4%, segundo dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), com base no Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Mais do que o desempenho comercial, a expansão abre espaço para apresentar ao consumidor estrangeiro uma categoria com características próprias. Em mercados habituados a reconhecer destilados por sua procedência, a cachaça encontra na origem, na cana-de-açúcar, nos métodos de produção, na diversidade de madeiras e nas possibilidades de envelhecimento importantes diferenciais.
É nesse movimento que produtores brasileiros vêm fortalecendo sua atuação internacional. Um deles é a Weber Haus, de Ivoti (RS), considerada a destilaria mais premiada do Brasil, que exporta seus produtos para mais de 30 países e acumula mais de 180 reconhecimentos nacionais e internacionais.
Em 2026, a Weber Haus já registra um crescimento de 42% nas exportações em comparação ao resultado total do ano passado.
Fundada em 1948 e atualmente conduzida pela quinta geração da família, a companhia construiu sua presença no exterior levando diferentes expressões da cachaça a mercados e perfis de consumo distintos.
A cachaça no mercado internacional
Entrar em um novo país vai além da comercialização do produto.
Cada mercado possui hábitos de consumo, referências e diferentes níveis de conhecimento sobre a cachaça, o que torna a apresentação da categoria parte importante do processo de internacionalização.
Explicar como a bebida é produzida, suas possibilidades de envelhecimento, as madeiras utilizadas e as diferentes formas de consumo contribuem para aprofundar o conhecimento sobre o produto.
A diversidade do portfólio também participa desse processo. Na Weber Haus, são mais de 80 rótulos, que atendem diferentes propostas e ocasiões de consumo, de produtos versáteis para drinks e coquetelaria a opções voltadas à apreciação. Entre eles, há rótulos que chegam a 10, 12 e 21 anos de envelhecimento. A versão de 21 anos, com diamante incrustado, chega a R$ 16 mil, exemplificando também o espaço conquistado pela cachaça entre produtos de maior valor agregado.
Para Evandro Weber, CEO da Weber Haus, a internacionalização representa uma oportunidade de ampliar o conhecimento sobre a produção e a cultura brasileira.
“Quando exportamos uma cachaça, não estamos levando apenas uma garrafa para outro país. Estamos apresentando um produto com origem, história e conhecimento ligados ao Brasil. Cada novo mercado é uma oportunidade de mostrar a diversidade e a qualidade da nossa produção”, afirma.
Diferenciais brasileiros no exterior
A expansão internacional coloca a cachaça diante de consumidores habituados a categorias de destilados já consolidadas mundialmente. Nesse contexto, evidenciar suas particularidades é parte do posicionamento da bebida no exterior.
A diversidade de madeiras é um desses atributos. Além das tradicionalmente utilizadas na maturação de destilados, espécies brasileiras permitem desenvolver diferentes aromas, sabores e perfis sensoriais.
Os reconhecimentos obtidos em competições nacionais e internacionais também contribuem para demonstrar a qualidade dos produtos em mercados nos quais a categoria ainda conquista espaço.
Estrutura para ampliar a presença internacional
A expansão para outros mercados também faz parte dos próximos passos da Weber Haus. Em um dos maiores ciclos de investimento de sua trajetória, a companhia destina R$ 80 milhões a uma nova indústria em Ivoti, projetada para ampliar a capacidade produtiva em 10 vezes e incorporar tecnologia, automação e inteligência aplicada aos processos.
A nova estrutura prepara a operação para perspectivas de crescimento no Brasil e no exterior, com maior eficiência e controle de produção. A sustentabilidade também integra o projeto, com soluções voltadas ao melhor aproveitamento dos recursos e à eficiência produtiva.
O investimento conecta o conhecimento construído desde 1948 a uma estrutura preparada para uma nova etapa da companhia.
“Temos uma bebida genuinamente ligada ao Brasil, com características próprias e capacidade para conquistar espaço entre os grandes destilados. Nosso objetivo é crescer internacionalmente preservando essa identidade e mostrando a diferentes mercados a qualidade e a diversidade da cachaça”, destaca Evandro Weber.
Uma oportunidade para a cachaça
O crescimento das exportações aponta para uma oportunidade que vai além dos resultados do comércio exterior. A presença em novos mercados também contribui para aumentar o conhecimento sobre uma categoria diretamente associada à origem brasileira.
Para a Weber Haus, a internacionalização faz parte de uma estratégia construída ao longo de cinco gerações e que agora ganha suporte de uma nova estrutura industrial. Ao avançar em diferentes mercados, a companhia busca contribuir para a valorização da cachaça no mercado global de destilados.
A Weber Haus
Fundada em 1948, em Ivoti (RS), a Weber Haus é uma empresa familiar especializada na produção de cachaças e destilados premium. Atualmente conduzida pela quinta geração, combina tradição, inovação e sustentabilidade, com atuação no Brasil e no exterior. Ao longo de sua trajetória, consolidou-se pela qualidade de seus rótulos, pela diversidade de envelhecimentos e pelo trabalho de valorização da cachaça.
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